Não seria ingênuo esperar dos agentes turísticos atos gratuitos e atitudes desinteressadas?
Bourdieu dirá que sim, é ingênuo. Os agentes sociais, de qualquer campo, inclusive o do turismo, não realizam atos em troca de nada, gratuitos ou desinteressados. Os agentes sociais só se mobilizam quando interessados.
O sucesso do planejamento turístico, portanto, dependerá da habilidade do pesquisador em identificar os segmentos interessados e o capital simbólico desejado por estes e da forma com que ele sincroniza as competências de cada segmento dentro do plano com vistas a atingir as metas que fazem sentido para cada um.
Já o sucesso da gestão está na habilidade do gestor em fazer com que os segmentos interessados reconheçam as metas e acreditem que vale a pena praticar os atos, ou seja, executar suas competências dentro do plano com vistas a ampliar seu capital simbólico.
A gestão, ainda, possui outro desafio, o de moderar um acordo informal e oculto entre os segmentos, já que muitas vezes os interesses podem ser conflitantes.
Caso o pesquisador ou o gestor falhe os segmentos podem não reconhecer as metas e portanto se tornarem indiferentes ou que conflitos de interesses entre os segmentos dificulte a conquista das metas.